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Reserva técnica ou self storage? Onde uma coleção de arte deve ficar

·4 min de leitura
Trainel, móvel específico para guardar pinturas e quadros em uma reserva técnica, com algumas obras fixadas.

Toda coleção que cresce chega ao mesmo ponto: as obras deixam de caber onde estão. A pergunta seguinte costuma ser onde guardá-las, e aí aparecem duas respostas que parecem equivalentes. Uma é a reserva técnica. A outra é o self storage.

A diferença entre elas não está no tamanho do espaço nem no preço do metro quadrado, mas no que acontece com a obra durante os meses em que ninguém a olha.

O que é uma reserva técnica?

Reserva técnica é o nome do espaço onde fica o acervo que não está em exposição. Entre 80% e 90% dos itens de um museu de renome estão guardados nestas áreas, não expostos. É ali que acontecem a higienização, a conservação, a documentação e a pesquisa.

Por isso, a reserva técnica não é um depósito. Ela tem mobiliário específico, como os traineis, que são armários deslizantes de aço e tela onde as telas ficam penduradas, e as mapotecas, gaveteiros rasos para papéis de grande dimensão. Tem umidade relativa e temperatura controladas de forma contínua, rotina de prevenção de pragas, e um sistema que registra a localização exata de cada obra, para evitar a dissociação, termo técnico que descreve a perda do objeto ou da informação ligada a ele.

O que é um self storage?

Self storage é um modelo imobiliário. O cliente aluga um box, recebe uma chave e guarda o que quiser, com acesso próprio e prazo flexível. É uma solução eficiente para estoque, móveis sem uso no momento, documento e material de mostruário. O mercado brasileiro tem operadores sérios nesse segmento.

O que o modelo não costuma oferecer, salvo quando declarado em contrato, é controle ambiental contínuo. Um box refrigerado não é a mesma coisa que um ambiente com umidade relativa estável. Também não costuma haver monitoramento de pragas, prevenção de incêndio pensada para acervos de alto valor, nem equipe treinada em manuseio.

A distinção importa porque a variação ambiental age devagar. O risco de guardar uma obra em ambiente não controlado não aparece na retirada, e é por isso que ele é subestimado na hora da contratação.

Os seis critérios que separam os dois modelos

Climatização contínua.

A referência internacional para guarda de acervo é de 45% a 55% de umidade relativa do ar, com temperatura entre 18°C e 22°C. Pergunte se o controle é contínuo e se existe registro do histórico.

Estabilidade dentro da faixa.

Materiais como tela, papel e madeira trocam umidade com o ar e respondem à variação mudando de dimensão, o que pode provocar danos à superfície da obra. As diretrizes internacionais admitem flutuação dentro de limites definidos e de forma gradual. O que preocupa é a oscilação rápida e repetida.

Prevenção de incêndio compatível com acervo.

Um sistema convencional protege a estrutura do prédio. Um sistema pensado para acervo de arte e objetos raros considera outros fatores e multiplica as formas de prevenção - como bombeiro civil de plantão 24 horas por dia, ambientes estanques e separados por portas corta-fogo.

Controle de acesso e sigilo.

Numa reserva técnica de padrão museológico, só entra quem precisa, e há registro de quem entrou. Para colecionador privado, espólio e coleção corporativa, a confidencialidade é parte do serviço.

Equipe que manuseia.

Boa parte dos danos de acervo acontece durante a movimentação. Quem retira a obra da prateleira precisa saber como retirá-la.

Documentação.

Sem registro de localização e de estado de conservação, uma coleção grande perde a si mesma. O espaço precisa ter estrutura para que conservadores e documentalistas trabalhem ali dentro.

Quando o self storage resolve

Armazenamento de material de moldura e embalagem, catálogos, mostruários e mobiliário de galeria. O ponto não é evitar o self storage, e sim não usá-lo para o que pede reserva técnica.

O que perguntar antes de contratar

Seis perguntas objetivas:

  • Qual a faixa de umidade relativa e de temperatura mantida?
  • Existe registro histórico destes parâmetros?
  • Como funciona o sistema de prevenção de incêndio?
  • Quem tem acesso ao espaço onde a obra vai ficar?
  • Quem manuseia a obra na entrada e na saída?
  • Como a localização de cada peça é registrada?

"O self storage é uma boa solução para itens associados à coleção de arte, mas não à coleção em si. Obras de arte precisam de cuidados bastante específicos que não estão no modelo de negócios de um galpão de armazenagem comum. Para isso existem as reservas técnicas", afirma Diogo Mantovani, CEO da Clé Chenue do Brasil.

A Clé Chenue do Brasil oferece reserva técnica 100% climatizada, com controle contínuo de temperatura e umidade relativa do ar em padrões museológicos, sistemas de segurança e prevenção de incêndios 24x7 e controle de acesso e sigilo. A Clé tende hoje alguns dos mais importantes museus brasileiros. O colecionador particular pode alugar um recinto privativo a partir de 25m² ou guardar suas obras em área compartilhada administrada pela Clé - nos dois casos, com a mesma infraestrutura colocada à disposição dos museus.

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